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terça-feira, 28 de abril de 2009

A descer é mais rápido que a subir

Não consigo deixar de estar chocada com o facto de, com isto da gripe suína, ver que a muita gente o tema passa ao lado. É realmente grave, e aconselho à população, já que usa a internet para tudo e mais alguma coisa, ir procurar a definição de pandemia.
Mais uma vez o nosso país parece querer destacar-se e, já que não pode ser positivamente, que seja então pela negativa. Desta vez decidimos, ao contrário do mundo inteiro, ignorar esta terrível ameaça e deixá-la passar ao lado.
Em qualquer aeroporto que não português se passou, imediatamente, não só a aconselhar as pessoas a não viajar para o epicentro da pandemia, o México, mas também a fazê-las passar por testes que as impedem de viajar caso apresentem sintomas parecidos com os da gripe.
Passaram meia dúzia de dias e as vítimas, mortais e não mortais, tendem a aumentar numa velocidade exorbitante. Mas isso parece não ser sério o suficiente para sequer se ter o trabalho de pensar numa simples distrubuição de folhetos acerca do assunto. Os números triplicam e, segundo consta, já foi posto algo do género em prática, mas ainda não deve ser grave ao ponto de se colocar alguma espécie de protecção nos aeroportos, que são apenas a porta da frente por onde a gripe poderá entrar no país. Pelos vistos nem vai precisar de bater à porta.
Esta é também uma oportunidade para a população dar a conhecer a sua forte opinião sobre certos e determinados temas, e um bom exemplo disto será uma entrevista que a televisão nos trasmitiu. Dizia então a pessoa que decidiu cancelar a sua viagem ao México. Desta forma, proposta pela agência de viagens, uma possível alternativa seria uma viagem às Caraíbas, mas isso está completamente fora de questão. É que, segundo a lógica (pelo menos a dela), as Caraíbas estão por baixo do México. Ora, se está em baixo, vai a descer, e a descer chega lá muito mais depressa.

domingo, 26 de abril de 2009

Esta ideia tem direitos de autor


Se eu fosse o senhor da Marvel, seja lá quem ele for, pegava neste insólito e adaptava a uma das minhas criaturas. Mas como não sou, e como a ideia foi minha, fica aqui exigido desde já que, quando eles aparecerem com um personagem com estas características, vão ter de me pagar.
Este meu personagem é baseado em factos verídicos que se resumem mais ou menos a um pinheiro de cinco centímetros, disfarçado de cancro, nascido num pulmão humano. E russo, segundo consta.
Da mesma forma que temos o Spiderman, um indivíduo cuja vida era aborrecida até ser picado por uma aranha, teremos o FirTreeman, de características semelhantes, mas a quem tudo mudou graças à picada de um pinheiro. Quando passar a existir, esta criatura da Marvel vai ter como super-poder o disparar de pinhas ou de pinhões (dependendo do efeito que pretenda causar) como quem cospe, ou seja, pela boca. Outra coisa que irá também acontecer quando esta criatura passar a existir será uma valente ida ao shopping, da minha parte, em que comprarei tudo o que me aparecer à frente. Isto quer dizer que vou estar rica.
Regressando à realidade, quanto à pessoa a quem nasceu um pinheiro no pulmão, só tenho a dizer que é sortuda. E, segundo as suas declarações prestadas em relação à doença, essa pessoa é a primeira a achar-se sortuda. Pudera*, nem toda a gente tem a sorte de achar ter um cancro no pulmão e afinal sair de lá um pinheiro.
*Dedico esta palavra ao Pedro do Monte. Ele sabe porquê.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Acho que vou fazer um piercing no hombigo


Não, não vou fazer nenhum piercing, e muito menos no umbigo que isso é coisa de menina. Apenas não encontrei a delicadeza necessária à abordagem deste tema, e então resolvi entrar assim um bocado à bruta e tocar logo na palavra-chave. Que não é chave, mas sim hombigo.
Afinal isto de ver televisão até convém que aconteça uma vez ou outra. Sou, ou pelo menos quero acreditar que sim, a fã número um da língua portuguesa. Mesmo que isto não seja verdade, ao menos sei que me encontro naquele extenso grupo que a defende com unhas e dentes. O que se deve resumir a qualquer coisa como dois ou três por cento da nossa população. E já que carrego o fardo de, pelo menos cinco vezes por semana, ter de me levantar super-cedo, aproveito para prestar alguma atenção àquele programa que passa ao longo da manhã - não posso dizer o nome do canal, mas adianto que o nome começa por R, acaba em P e que tem no meio a letra T - em que andam por aí a perguntar às pessoas como é que se diz ou escreve isto e aquilo.
É de relevar aqui que às vezes o meu estômago dá um nó, o que me faz ficar deveras enjoada, ao perceber que, na sua grande maioria, a população portuguesa não conhece, nem de longe, o próprio dialecto.
Mas obrigado, caros compatriotas, por me fazerem sentir, de vez em quando, inteligente. Ou não-burra.
E pergunta o estimado leitor: "Então mas esse programa existe há tanto tempo! Porquê o só falar nisso agora?"; e eu, que não gosto de ser má para ninguém, e tampouco o serei para si que vem aqui ler-me, até vou responder: é que nunca foi dada tão bombástica resposta como a que ouvi ontem.
Perguntava-se então à gente que por ali passava qual era a forma correcta de soletrar a palavra umbigo. Obviamente que, tirando um ou dois gatos pingados (é a primeira vez que escrevo esta expressão), toda a gente respondeu E-M-B-I-G-O. Mas nunca na vida me prepararam para ouvir um "Acho que se escreve Ombigo" ao que, para me colar ainda mais ao chão, foi acrescentado um "Mas leva um H ao início!". Esta senhora teve, portanto, um dia, não um cordão umbilical mas sim um cordão hombilical. Se calhar merece umas palmadinhas no hombro, enquanto lhe cortam as honhas dos pés.
Ora, com tanta gente a espancar sem dó nem piedade (também nunca tinha escrito esta) a língua portuguesa, não admira que certos e determinados elementos nos queiram fazer aderir a este gigante passo (atrás) a que se dá o nome de acordo ortográfico (ou devo dizer hortográfico?): se Maomé não vai à montanha, ela que vá a Maomé; e se o típico português não domina a própria língua, a língua que vá dominá-lo, tornando-se oficialmente mal-falada.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Nhecos!




Eu sei que este Nhecos é um bocado amaricado. Mas juro que não é meu! Prometo que, assim que tiver um melhor, troco a imagem. Por enquanto deixo-o a usufruir, com todo o carinho do mundo, do sentimento de frustração que lhe provoquei com este Nhecos.
Não tem de quê.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Saudinha

Ora bem, corrija-me se estiver errada, mas parece-me que agora, quando adoecer, posso escolher entre o ser bem tratada e o ser mais ou menos bem tratada.Tive mais um daqueles ataques de loucura, e cometi uma vez mais aquele erro de dar atenção ao que passava na TV. Por um lado até é bom, pelo menos para mim, que haja em Portugal situações ridículas como esta: caso contrário não teria assunto para escrever neste blogue. E eu, que até gosto de me rir de vez em quando, vou pensando nestas coisas. E rio-me.
Até agora, uma pessoa carregava consigo o peso da decisão: morrer à fome por ter comprado os medicamentos de que precisava VS morrer por não ter comprado os medicamentos para poder comer. Mas agora tudo está resolvido.
Pelo que percebi, de agora em diante, o, chamemos-lhe assim, cliente está doente, vai ao médico, vai ser tratado e, para tal, o médico receita-lhe medicamentos. Normalíssimo. A novidade aqui é que, como a gente anda sem dinheiro por causa da crise (tenho de começar a anotar as vezes que "a" menciono aqui. Começa a tornar-se hábito.), podemos escolher o medicamento que se adapta melhor ao nosso bolso. Ponho-me aqui a imaginar, e o que me sai é qualquer coisa como:

- Boa tarde!
- Boa tarde! Como está?
- Olhe, cá vou indo, tirando esta infecçãozinha no pâncreas... Mas não há-de ser nada. Por falar nisso, venho aqui buscar uma coisa para me tratar.
- Passe pra cá a receita.
- Tome. [Silêncio] O Sr. farmacêutico por acaso não tem aí algo que me fique mais em
conta, não? É que ainda só vamos a 15 e não dava muito jeito ficar sem comer até ao fim do mês, sabe?
- Olhe, por acaso até tenho. Está aqui este Manipulan*, custa X; se for bem tomadinho daqui a uns 5, 6 dias está aí rijo que nem um pêro. Também temos aqui este que, como é mais barato, é capaz de demorar mais uns diazitos, mas deve fazer efeito à mesma. Qual é que vai querer?
- Olhe, lá vai ter de ser esse. E não tem aí nenhuma marca comprimidos para o coração diferente da do costume? É que também preciso de levar para a minha esposa, mas para esses não tenho mesmo dinheiro.
- Tenho sim, senhor! Tome lá estes, custam mais de metade do preço dos outros, se calhar é capaz de fazer só metade do efeito, mas o que interessa é que possa pagar!
- Obrigado. Saudinha.

E eis a palavra-chave deste artigo: saudinha. Mantenha a sua saudinha. É que, tal como o caviar e outras coisas assim que são só para quem pode, nos dias de hoje não nos podemos dar ao luxo de adoecer.



*Manipulan foi um nome que inventei para um possível medicamento. Espero bem que não exista.

domingo, 5 de abril de 2009

Kurt Cobain dominava o madeirense

Antes de mais, obrigado Joana, por me teres aberto os olhos em relação a isto.

Foi graças à minha irmã Joana Mariza que descobri uma coisa que sem a qual a minha vida não fazia sentido. Era realmente estranho o facto de, todos os dias, cada vez que deixava um lugar, ter sempre a sensação de que me faltava algo, mesmo não me tendo esquecido de nada. Tenho a certeza de que a partir de agora nunca mais vou sentir isso.
Passo a escrever a descoberta: O Kurt Cobain falava madeirense. E eis a prova: tenha, o estimado leitor, atenção à primeira frase cantada pelo Rei. Vai concordar comigo imediatamente e vai achar-me super fixe por lhe dar a conhecer tal facto. Até agora toda a gente pensava que o primeiro verso da música Smells Like Teen Spirit era Load up on guns. Mas temos de saber ler as entrelinhas, e o que as entrelinhas dizem é que não há pão quente. Com sotaque madeirense. Veja (ou oiça) para crer e, se for mentira, pode dar-me quantos carolos quiser.


Nirvana Smells Like Teen Spirit Official - The funniest videos are a click away
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É, não é? Eu disse...