Hoje acordei com os pés de fora (da cama). Abri os olhos e chalaceei de mim própria como se não houvesse amanhã. Assim que pus o cérebro a trabalhar, reparei que isto não podia ser bom sinal: para quem não conhece, existe uma maldição anciã que lixa quem acorda com os pés de fora. Conta a lenda que, no dia em que isto sucede, a pessoa que se esqueceu de guardar os pés antes de acordar está tramada. Pelo menos por dentro. Restava-me então esperar por esta birra que, perpetuamente, habita adormecida dentro de mim e que teima em, de vez em quando, acordar e fazer-me frente.
Enquanto aguardo, aborrecida, tomo a liberdade de lançar as seguintes questões: existe algum regulamento para esta maldição? Isto é, toda a gente sabe que, inevitavelmente, acordar com os pés de fora provoca birra. Mas isso é válido também para quando acordamos com apenas um pé de fora? E se for só um bocadinho do pé, conta? E só conta se for de fora da cama, ou basta apenas fora do lençol? Se fora do lençol valer: e em relação àqueles que dormiram destapados porque estava calor? Também estão sujeitos à maldição? É que neste caso dormiram com o pé destapado. Ou para essas situações há uma espécie de “arrebenta a bolha”? E se, no dia em que se está de mau humor, as outras pessoas sabem que foi nesse que acordámos com os pés de fora, quer dizer que a maldição só dura um dia? Se durar só um dia: são vinte e quatro horas certinhas, ou é só aproximadamente?
Agora que desabafei, sinto-me cinquenta e sete vezes mais leve do que me sentia há pouco, quando comecei a escrever. Espero algum dia obter resposta a estas questões, pois viver nesta ignorância e dúvida não tem piada alguma.
Se reparar bem, escrevi estas trezentas e uma palavras todas só para o fazer chegar à conclusão de que existem, de facto, expressões estúpidas. Não só em Portugal, mas sirvo-me dos meus profundos conhecimentos sobre todo e qualquer assunto para afirmar que as expressões estúpidas existem em maior número na língua portuguesa do que nas outras línguas.
Não querendo embustear ninguém, digo que são infinitas as expressões parvas a ser por aí utilizadas a torto e a direito – esta é uma delas, apesar de o seu nível de parvoíce ser aceitável – e, pior ainda, são utilizadas por toda a gente (sim, o leitor está incluído nesta expressão a negrito) mesmo sem a gente se dar conta.
Enquanto aguardo, aborrecida, tomo a liberdade de lançar as seguintes questões: existe algum regulamento para esta maldição? Isto é, toda a gente sabe que, inevitavelmente, acordar com os pés de fora provoca birra. Mas isso é válido também para quando acordamos com apenas um pé de fora? E se for só um bocadinho do pé, conta? E só conta se for de fora da cama, ou basta apenas fora do lençol? Se fora do lençol valer: e em relação àqueles que dormiram destapados porque estava calor? Também estão sujeitos à maldição? É que neste caso dormiram com o pé destapado. Ou para essas situações há uma espécie de “arrebenta a bolha”? E se, no dia em que se está de mau humor, as outras pessoas sabem que foi nesse que acordámos com os pés de fora, quer dizer que a maldição só dura um dia? Se durar só um dia: são vinte e quatro horas certinhas, ou é só aproximadamente?
Agora que desabafei, sinto-me cinquenta e sete vezes mais leve do que me sentia há pouco, quando comecei a escrever. Espero algum dia obter resposta a estas questões, pois viver nesta ignorância e dúvida não tem piada alguma.
Se reparar bem, escrevi estas trezentas e uma palavras todas só para o fazer chegar à conclusão de que existem, de facto, expressões estúpidas. Não só em Portugal, mas sirvo-me dos meus profundos conhecimentos sobre todo e qualquer assunto para afirmar que as expressões estúpidas existem em maior número na língua portuguesa do que nas outras línguas.
Não querendo embustear ninguém, digo que são infinitas as expressões parvas a ser por aí utilizadas a torto e a direito – esta é uma delas, apesar de o seu nível de parvoíce ser aceitável – e, pior ainda, são utilizadas por toda a gente (sim, o leitor está incluído nesta expressão a negrito) mesmo sem a gente se dar conta.
A fim de comprovar esta minha conjectura, realizei mais uma daquelas infindáveis pesquisas como só eu sei realizar. Despeço-me então com um best of por mim respigado, em que me bastou um número relativamente curto de expressões para provar o que quero provar. Tomei ainda a liberdade de destacar as minhas preferidas, atribuindo-lhes um primeiro, um segundo e um terceiro lugar.
BEST OF: Expressões parvas
- Baixar a bolinha
- Fazer trinta por uma linha
- Ser apanhado com a boca na botija
- Ter um olho à Belenenses
- Meter-se num trinta e um
- Pôr-se a pau
- Passar-se dos carretos
- Meter o pé na argola
- Estar feito ao bife (3º)- Tirar o cavalinho da chuva (2º)- Ir pentear macacos (1º)