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terça-feira, 30 de junho de 2009

A maldição dos pés de fora

Hoje acordei com os pés de fora (da cama). Abri os olhos e chalaceei de mim própria como se não houvesse amanhã. Assim que pus o cérebro a trabalhar, reparei que isto não podia ser bom sinal: para quem não conhece, existe uma maldição anciã que lixa quem acorda com os pés de fora. Conta a lenda que, no dia em que isto sucede, a pessoa que se esqueceu de guardar os pés antes de acordar está tramada. Pelo menos por dentro. Restava-me então esperar por esta birra que, perpetuamente, habita adormecida dentro de mim e que teima em, de vez em quando, acordar e fazer-me frente.
Enquanto aguardo, aborrecida, tomo a liberdade de lançar as seguintes questões: existe algum regulamento para esta maldição? Isto é, toda a gente sabe que, inevitavelmente, acordar com os pés de fora provoca birra. Mas isso é válido também para quando acordamos com apenas um pé de fora? E se for só um bocadinho do pé, conta? E só conta se for de fora da cama, ou basta apenas fora do lençol? Se fora do lençol valer: e em relação àqueles que dormiram destapados porque estava calor? Também estão sujeitos à maldição? É que neste caso dormiram com o pé destapado. Ou para essas situações há uma espécie de “arrebenta a bolha”? E se, no dia em que se está de mau humor, as outras pessoas sabem que foi nesse que acordámos com os pés de fora, quer dizer que a maldição só dura um dia? Se durar só um dia: são vinte e quatro horas certinhas, ou é só aproximadamente?
Agora que desabafei, sinto-me cinquenta e sete vezes mais leve do que me sentia há pouco, quando comecei a escrever. Espero algum dia obter resposta a estas questões, pois viver nesta ignorância e dúvida não tem piada alguma.
Se reparar bem, escrevi estas trezentas e uma palavras todas só para o fazer chegar à conclusão de que existem, de facto, expressões estúpidas. Não só em Portugal, mas sirvo-me dos meus profundos conhecimentos sobre todo e qualquer assunto para afirmar que as expressões estúpidas existem em maior número na língua portuguesa do que nas outras línguas.
Não querendo embustear ninguém, digo que são infinitas as expressões parvas a ser por aí utilizadas a torto e a direito – esta é uma delas, apesar de o seu nível de parvoíce ser aceitável – e, pior ainda, são utilizadas por toda a gente (sim, o leitor está incluído nesta expressão a negrito) mesmo sem a gente se dar conta.
A fim de comprovar esta minha conjectura, realizei mais uma daquelas infindáveis pesquisas como só eu sei realizar. Despeço-me então com um best of por mim respigado, em que me bastou um número relativamente curto de expressões para provar o que quero provar. Tomei ainda a liberdade de destacar as minhas preferidas, atribuindo-lhes um primeiro, um segundo e um terceiro lugar.


BEST OF: Expressões parvas
- Baixar a bolinha
- Fazer trinta por uma linha
- Ser apanhado com a boca na botija
- Ter um olho à Belenenses
- Meter-se num trinta e um
- Pôr-se a pau
- Passar-se dos carretos
- Meter o pé na argola
- Estar feito ao bife (3º)- Tirar o cavalinho da chuva (2º)- Ir pentear macacos (1º)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Ominoso Homem das Neves (que é como quem diz: O Yeti)

Já vos disse que sofro de boredomness aguda? Nunca me queixei disto ao médico mas, quer tenha sido inventada por mim, quer não tenha, esta doença tem como principais sintomas o enorme desespero que se faz sentir quando uma pessoa dá uso ao verbo lobrigar e, lobrigando, apercebe-se de que não tem nada para fazer. Obviamente quis aqui armar-me em esperta ao utilizar a palavra lobrigar, o que não correu, contudo, lá muito bem.
Foi, portanto, num ensejo de desespero que vasculhei todo o quarto da pessoa com quem estava – não posso mencionar o nome, mas começa por namor e acaba em ado - e dei por mim a dar início a uma agradável leitura da obra Anjos e Demónios, do autor Dan Brown - este já eu posso aludir. Talvez inspirada pelo facto de estar ou ter estado recentemente nos cinemas em exibição. Talvez não.
Não consigo recordar-me ao certo da página do livro, uma vez que já me tinha fartado de ler, mas era qualquer coisa como na página seis. Foi então nessa página, chamemos-lhe assim, seis, que encontrei aquilo que mais temia: uma borboleta morta? Não. Mas quase tão mau quanto isso. Jazia ali a palavra ominoso. Retorqui, ainda que mentalmente, com um, não temido mas temível, “Uau!" e foi prontamente que me dirigi à minha Mãe em busca de solução para o meu mais fresco enigma. Qual não foi o meu espanto, misturado com horror, quando oiço algo que me soou tal e qual um “não sei o que significa”. Era grave. As Mães sabem tudo, e se esta Mãe não conhecia o significado, revelava-se então uma tarefa muito mais árdua do que algum dia se imaginara. Tinha que respirar, obviamente, mas mais fundo que o habitual, e tomei assim, respirando, a decisão de me dirigir a este mesmo computador cujas teclas levam, nada carinhosamente, com os meus dedos em cima. Dei então origem a um novo documento Word. É que é este quem me safa, com as suas listas de sinónimos, quando ocorrem situações de terror que nem esta. Mas foi aí que me apercebi de que era ainda mais grave que o que eu podia fantasiar: nem mesmo o Microsoft Word me podia fornecer um sinónimozinho que fosse. Tinha que colocar as mãos à obra, bem como o cabo da net no respectivo orifício.
Começou assim uma delicada jornada a algo que tem como nome qualquer coisa acabada em –icionário (aqui podia acusar o website, mas patenteio que me esqueci completamente do raio do nome). Efectuei certos e determinados passos, nomeadamente alguns, e foi então que, após um esforço colossal – note que a minha testa sua apenas por recordar isto -, encontrei cerca de dois sinónimos para o maldito mas, tinha a certeza, bem dito e escrito vocábulo ominoso, que, vim a descobrir mais tarde, era mesmo ominoso.Este website fez então questão de enumerar os seguintes sinónimos da minha cara, em todos os sentidos do termo, palavra: agoirento; nefasto; abominável. Afinal são três.
Chego finalmente ao ponto fulcral desta posta: após uma longa e bem dura investigação, posso afirmar, com toda a convicção que consigo neste momento amanhar (peço desculpa ao leitor se não lhe consigo dar toda a que esperava e merecia, mas convém ter em conta a hora da escrita deste documento), que, no dia em que escrever um documento cujo título deva ser O Abominável Homem das Neves, a palavra abominável poderá, de facto, ser por mim alterada para ominoso, e isso fará de mim alguém muito mais inteligente perante o olhar, o cheirar, o ouvir e o sentir de muito boa gente. E quer-me cá parecer que esse dia é o de hoje.

Tributo a Bruno Aleixo

Se não está familiarizado com aquele episódio d’O Programa do Aleixo em que, passo a citar, o Jogo de Casa somos nós a jogar na consola, que é para ver se tu te calas, aconselho-o vivamente a, antes prosseguir com a sua leitura, ir ao youtube efectuar uma pesquisa em que será razoável colocar como palavras-chave: bruno; aleixo; street e fighter. Caso contrário perder-se-á por completo a pouca piada que esta minha animação possa ter. A sério.
Se já chegou a este parágrafo é porque é obediente e, das duas uma: ou leu que só era autorizado a continuar caso já conhecesse o tal episódio, e assim o fez, como ordenado; ou leu que só era permitido continuar caso já conhecesse o tal episódio e, como tal, encaminhou-se ao youtube e fez o que mandei. Seja como for, anima-me, apreciado leitor, a sua subserviência. Muito bem.
Tomo então a liberdade de o premiar com o seguinte vídeo:

GoAnimate.com: Bruno Aleixo - Jogo de Casa by sovaco

domingo, 28 de junho de 2009

"Sovaco tem macacos no cu"

Obrigado, Pedro do Monte. É realmente este o problema que não me deixa ser feliz por completo. Porque é que não posso fazer aquilo que mais gosto só porque os outros acham errado?
Esta é uma introdução à prenda mais bonita que recebi até hoje, que passo a publicar aqui em baixo a partir de... Agora.

Enjoy.
P.S: Sovaco é o meu pseudónimo.

GoAnimate.com: Sovaco tem macacos no cu by herpes genital

sábado, 27 de junho de 2009

Isto é outra ameaça

Venho, mais uma vez, por este meio ameaçar toda aquela gente que insiste em utilizar expressões estúpidas.
Decorre neste momento a época de exames, pelo menos para algumas pessoas, e oiço por aí gente a dizer que tem de atacar os livros para ver se tem boa nota. O que é que eu tenho a dizer a essas pessoas? Nada. Mas confesso que o que me apetece, realmente, é calçar um bom par de luvas brancas, descalçar de seguida uma delas e bater com a mesma na cara de quem ouse afirmar à minha frente que vai atacar livros. Até porque eles não têm culpa de nada.
Portanto: a não ser que seja num contexto Wushu, Sumô ou de luta-livre, é também terminantemente proibido afirmar tal parvoíce.
Proponho, em jeito de conclusão, que fique o prezado leitor a pensar no acto de atacar livros. Para mim, a única forma de o fazer é com murros, pontapés e moshing e, sinceramente, não consigo perceber de que forma isto me ajudaria a passar num teste.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Há coisas que me aborrecem, nomeadamente certos e determinados assuntos

Se isto não é razão para eu me indignar, então também não sei o que é que é.
Não obstante o facto de me interromperem a novela (cujo nome não posso referir, mas que começa pela palavra Caminho, acaba em Índias e tem no meio a palavra das) com uma notícia de última hora em que o senhor do Pop morrera, vêm ainda substituir a novela seguinte IN-TEI-RI-NHA (também não posso dizer o nome, mas atrevo-me a adiantar que começa por Podia acabar e termina em mundo) por todo um jornal de última hora, dedicado inteira e totalmente ao Michael Jackson.
Porquê? Porque é que isto tinha de acontecer precisamente hoje, dia em que me sinto particularmente aborrecida, e dia este em que decidi seguir as novelas com atenção? Só pode ser para chatear.
Já agora fica no ar: faleceu hoje, muito primeiro que o Jackson, a conceituada actriz Farrah Fawcett. Para divulgar a morte dela puderam esperar pelo jornal das 20h para o fazer e, quando o fizeram, a informação foi partilhada em pouco menos de um minuto. Agora, só porque um homem-zombie, pedófilo e tarado perece, têm de interromper o meu programa e cancelar os seguintes? Não acho certo. Não acho.
Para o parágrafo anterior não se sentir sozinho enquanto paira no ar, solto também este: porque é que as pessoas, mesmo que sejam as piores do mundo, quando morrem passam a ser as melhores e mais queridas? Este personagem era, se bem me lembro, até ontem, falado e (re)conhecido pelas piores coisas: suposta pedofilia, podridão aguda, entre outros. Contudo, agora que morreu, era uma óptima pessoa, aquele que vendeu mais discos até hoje, aquele que era fofinho quando tinha 5 anos, aquele que um dia, num passado muito longínquo, não foi assustador.
E já que estou numa onda de perguntas pertinentes: como é possível as criancinhas, que ele arrastava consigo para todo o lado, não terem medo dele? Eu, se fosse criancinha, tinha. Aliás, não sou criancinha (não sou!) e, ainda assim, tenho medo da cara dele. Ou tinha.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Olhó Magalhães f'esquinho!



Há quem diga que Deus dá nozes a quem não tem dentes. Eu cá digo:
Sócrates dá Magalhães a quem não tem luz em casa.


Ora bem, é após longos meses de uma greve contra mim mesma, em que não escrevia neste blogue como gesto de rebeldia, que venho surpreender o meu estimado leitor com mais uma ideia sublime.
Tenho connects, e esses connects fazem-me aperceber, dia sim, sia dim, que esta coisa do Magalhães é um bocado... Vá, não querendo ser maldizente, chamo-lhe ridícula. Anda para aí gente que, peço perdão pela expressão, não tem onde cair morta, e vêm estes aqui (neste momento estou a apontar para um jornal que contém uma certa imagem que representa o governo português) vangloriar-se só porque proporcionam a toda e qualquer classe social a aquisição de um computador. Isso também eu! Também eu proporcionaria, não fosse isso estúpido. Se isto ainda não tivesse sido posto em prática, eu propunha: "Ó amigo, que tal ires antes distribuir comida e cobertores aos pobrezinhos?" Mas já que já está a decorrer, ainda que mal e porcamente, eis que surge (após me ocorrer que - não querendo dar ideias a ninguém - se fosse pobre, vendia o meu Magalhães) a brilhante ideia:
Far-se-ia então, nesta ideia, a vontade ao Sr. Dr. “Engenheiro” e trocava-se-lhe enfim o lugar com o de Deus. Mesmo sendo apenas no ditado. Ficava Deus com a parte dos Magalhães, que seriam repartidos pelos desdentados, e passaria a ser Sócrates o encarregado pela distribuição das nozes: não a quem não tem dentes, que esses contentar-se-iam muito bem com os computadores, mas sim a quem não tem luz em casa. É que, não sei porquê, tenho a ideia de que estes não ficavam nada tristes ao poupar na comida, o que aconteceria ao receberem nozes; e o senhor Primeiro-ministro, por sua vez, faria mais ou menos boa figura. Uma vez na vida.
Sim, eu sei que estou sempre a surpreender com esta refulgência das minhas ideias, mas pode fechar a boca. Já devia estar habituado.
Já agora, quero dar uso à etiqueta "Ortografia" que tenho aqui no blog e, já que estou a tocar neste assunto, quero aqui enfatizar o facto de estes computadores mágicos estarem recheados de erros ortográficos, quando o principal objectivo é - supostamente - ensinar criancinhas a ler e a escrever como deve ser. Ou então, aderindo à onda do Magalhães, talvez deva dizer "como deve de ser".