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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Tirar o cavalinho da chuva ou não tirar o cavalinho da chuva: eis a questão

Hoje acordei, abri os olhos, levantei-me, rastejei até à cozinha, sentei-me, bocejei, abri os olhos (afinal não estavam bem abertos), cocei a perna, abri a boca e murmurei algo que, apesar de soar a uma qualquer língua alienígena, queria dizer: vou beber um leitinho com café. Ao que, muito bruscamente, me respondem que Nem pensar! Podes tirar o cavalinho da chuva! Não temos café.
Ok, se calhar isto é mentira, até porque hoje acordei em Londres e, até ver, em Londres não utilizam a expressão tirar o cavalinho da chuva. Mas, por acaso, a parte do não haver café é verdade. Acabou-se ontem. Na verdade, inventei esta história dramática (-mente estúpida) só para poder dar uso a esta expressão que, apesar de constar no meu Best Of Expressões Parvas, tanto odeio.
Podem achar que levo tudo ao pé da letra, mas é que não consigo impedir de entrar na minha cabeça, ao ouvir isto, a imagem de um cavalo a apanhar chuva e de alguém a ir lá buscá-lo.
Esta história que contei não aconteceu mas podia ter acontecido e, mais uma vez, não percebo. Não consigo perceber porque é que, só porque não posso realizar algo, tenho de ir procurar um sítio com cavalos e que esteja à chuva só para trazer um deles para um abrigo. Isto vai ajudar em quê, exactamente? É que, se for mais um daqueles métodos anti-stress, acho que prefiro desenfastiar-me numa daquelas bolas fofinhas que levam o stress embora.

Dar um pulinho: a felicidade que está debaixo do nosso nariz

Venho, desta vez, por este meio convidar toda a gente a viver num mundo melhor e, quem sabe, sem estupidez. Se é isto que quer, tem toda a permissão para prosseguir para a frase seguinte. Muito bem. Ora, pode parecer complexo e impossível, mas a solução para este novo mundo está bem debaixo dos nossos narizes. Por favor, parem de utilizar a expressão dar um pulinho, a não ser que tenham mesmo a intenção de efectuar um. A sério.
Costuma acontecer-me apanhar do ar conversas que começam com qualquer coisa como “Vou dar uma festa, quero muito que vás” e que acabam com algo do género “Estou muito cansado/Tenho coisas para fazer, mas posso ir lá só dar um pulinho”.
Acabo de ouvir isto e, após ir à casa de banho fazer o que este tipo de conversas me dá vontade de fazer, ponho-me a imaginar em que sentido é que o facto de uma pessoa chegar à festa da outra, pular e, de seguida, ir embora, vai influenciar na felicidade de outra. Confesso que nunca ninguém foi a uma festa minha para dar um pulinho mas, se isso faz tão bem a quem vê o pulo acontecer, da próxima vez que estiver doente ou triste, ou até ambos, vou pedir a alguém que vá ao pé de mim pular. Pode ser que me sinta melhor.
Já que estou numa de relevar a estupidez de certas e determinadas expressões, aproveito para enfatizar também a parvoíce da expressão debaixo do nariz, que fiz questão de utilizar no início deste texto para poder falar nela e fazer deste um documento com mais palavras. Morte (no bom sentido) às pessoas que afirmam que algo está debaixo do nosso nariz quando, na verdade, não está. O que é quase sempre.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Faça seis, pague meia dúzia


Este assunto é de tal maneira… coiso… que nem sei de que forma o abordar. Se calhar vou directa ao assunto: segundo Luís Graça, excelentíssimo senhor director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santa Maria, o segundo aborto devia ser a pagar.
Isto é, na minha opinião, um bocado engraçado, uma vez que me faz lembrar uma daquelas promoções que se costuma fazer, principalmente em inaugurações de estabelecimentos, a fim de se atrair mais freguesia.
Tenho este exemplo aqui: um centro de estética, situado em Faro, cujo nome não posso referir – até porque não sei – lançou, aqui há tempos, uma super-promoção em que, na primeira vez do cliente naquele lugar, se recebe um serviço completo totalmente grátis. Aproveito, já agora, para manifestar uma das minhas maiores ambições, que consiste em qualquer coisa como arranjar um plano infalível que me permita fazer os senhores desse estabelecimento pensar que, de cada vez que lá for, sou uma pessoa nova, podendo desta forma usufruir de serviços completos à borla - o que, dado a minha nacionalidade, seria extremamente satisfatório.
Ainda em relação à promoção do centro de estética, tem tudo a ver com esta citação do Doutor Ginecologista. O que eu entendo, pelo que ele conta, é que nos estão – às gajas – a oferecer um aborto. É uma táctica, na minha opinião, extremamente eficaz. Cada vez que oiço destas promoções sei de montes de gente a lá ir aproveitá-las. E depois não querem que a taxa de interrupção voluntária da gravidez aumente.
Qualquer dia lemos por aí à porta dos hospitais:


Leve
(ou faça)
três,
pague
dois.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tentativa de elogio a algo fixe


Isto pode soar a absurdo, mas este texto vai ser escrito tendo eu como base o intuito de elogiar algo. Não é, de todo, minha intenção decepcionar - e passo a dar uso aos meus dez anos de vivência no Ribatejo utilizando a seguinte expressão - as pargas de leitores que, através deste blog, me vistoriam. Mas é que, pensando bem, se os blogs servem para criticar tudo e mais alguma coisa se calhar também o posso fazer de uma forma positiva. Mesmo não me dando tanto gozo…
Ora, tendo em conta a data de hoje (se for erudito ao ponto de efectuar cálculos daqueles mais ou menos simples em que se utiliza, normalmente, um mais, ter-se-á dado conta, desde há vinte e cinco palavras atrás, deste “algo” que vou aplaudir dentro de momentos), pode chegar-se à conclusão de que dois dias é o tempo aproximado de que alguém como eu precisa para recuperar minimamente de uma série de concertos e poder, assim, escrever sobre eles. Estou então a falar do primeiro dia do Optimus Alive do presente ano.
E o que eu tenho a dizer sobre este acontecimento é:

Foi bonito.
Porque é que foi bonito? Porque sim. Se quer saber o motivo, é porque não lá esteve. Se não lá esteve: estivesse. (Este é aquele momento em que, sem querer, deixo cair a máscara e me revelo, por breves instantes, matreira; mas, apercebendo-me a tempo, disfarço com toda a subtileza e o leitor passa a ter, outra vez, exactamente a mesma opinião - seja lá qual for - que tinha antes de ler esta parte do texto.)
Confesso que não sou muito boa nisto de elogiar coisas, mas garanto que dei o meu melhor ao compor este meu depoimento de duas palavras sobre o festival.
Contudo, como não podia deixar de ser, há algo que me indigna: ia sendo distribuído, por quem entrava no evento, uma série de colares de flores, parecidos com aqueles que as pessoas insistem em usar no Hawai, mas cujos fios piscam. Em dois sítios! Apesar de achar aquilo um bocado maricas, usei, à cintura: é que, unido ao colar, havia um mini cartaz do evento, com horas e tudo. Por acaso até deu jeito, mas, como foi exposto ali em cima, já passaram quase dois dias. E não é que esta porcaria ainda não parou de piscar? Já agora, aproveito a boleia das piscadelas para verificar até que ponto sobrevivem, mas o facto é que fico, obviamente, abespinhada com isto.

terça-feira, 30 de junho de 2009

A maldição dos pés de fora

Hoje acordei com os pés de fora (da cama). Abri os olhos e chalaceei de mim própria como se não houvesse amanhã. Assim que pus o cérebro a trabalhar, reparei que isto não podia ser bom sinal: para quem não conhece, existe uma maldição anciã que lixa quem acorda com os pés de fora. Conta a lenda que, no dia em que isto sucede, a pessoa que se esqueceu de guardar os pés antes de acordar está tramada. Pelo menos por dentro. Restava-me então esperar por esta birra que, perpetuamente, habita adormecida dentro de mim e que teima em, de vez em quando, acordar e fazer-me frente.
Enquanto aguardo, aborrecida, tomo a liberdade de lançar as seguintes questões: existe algum regulamento para esta maldição? Isto é, toda a gente sabe que, inevitavelmente, acordar com os pés de fora provoca birra. Mas isso é válido também para quando acordamos com apenas um pé de fora? E se for só um bocadinho do pé, conta? E só conta se for de fora da cama, ou basta apenas fora do lençol? Se fora do lençol valer: e em relação àqueles que dormiram destapados porque estava calor? Também estão sujeitos à maldição? É que neste caso dormiram com o pé destapado. Ou para essas situações há uma espécie de “arrebenta a bolha”? E se, no dia em que se está de mau humor, as outras pessoas sabem que foi nesse que acordámos com os pés de fora, quer dizer que a maldição só dura um dia? Se durar só um dia: são vinte e quatro horas certinhas, ou é só aproximadamente?
Agora que desabafei, sinto-me cinquenta e sete vezes mais leve do que me sentia há pouco, quando comecei a escrever. Espero algum dia obter resposta a estas questões, pois viver nesta ignorância e dúvida não tem piada alguma.
Se reparar bem, escrevi estas trezentas e uma palavras todas só para o fazer chegar à conclusão de que existem, de facto, expressões estúpidas. Não só em Portugal, mas sirvo-me dos meus profundos conhecimentos sobre todo e qualquer assunto para afirmar que as expressões estúpidas existem em maior número na língua portuguesa do que nas outras línguas.
Não querendo embustear ninguém, digo que são infinitas as expressões parvas a ser por aí utilizadas a torto e a direito – esta é uma delas, apesar de o seu nível de parvoíce ser aceitável – e, pior ainda, são utilizadas por toda a gente (sim, o leitor está incluído nesta expressão a negrito) mesmo sem a gente se dar conta.
A fim de comprovar esta minha conjectura, realizei mais uma daquelas infindáveis pesquisas como só eu sei realizar. Despeço-me então com um best of por mim respigado, em que me bastou um número relativamente curto de expressões para provar o que quero provar. Tomei ainda a liberdade de destacar as minhas preferidas, atribuindo-lhes um primeiro, um segundo e um terceiro lugar.


BEST OF: Expressões parvas
- Baixar a bolinha
- Fazer trinta por uma linha
- Ser apanhado com a boca na botija
- Ter um olho à Belenenses
- Meter-se num trinta e um
- Pôr-se a pau
- Passar-se dos carretos
- Meter o pé na argola
- Estar feito ao bife (3º)- Tirar o cavalinho da chuva (2º)- Ir pentear macacos (1º)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Ominoso Homem das Neves (que é como quem diz: O Yeti)

Já vos disse que sofro de boredomness aguda? Nunca me queixei disto ao médico mas, quer tenha sido inventada por mim, quer não tenha, esta doença tem como principais sintomas o enorme desespero que se faz sentir quando uma pessoa dá uso ao verbo lobrigar e, lobrigando, apercebe-se de que não tem nada para fazer. Obviamente quis aqui armar-me em esperta ao utilizar a palavra lobrigar, o que não correu, contudo, lá muito bem.
Foi, portanto, num ensejo de desespero que vasculhei todo o quarto da pessoa com quem estava – não posso mencionar o nome, mas começa por namor e acaba em ado - e dei por mim a dar início a uma agradável leitura da obra Anjos e Demónios, do autor Dan Brown - este já eu posso aludir. Talvez inspirada pelo facto de estar ou ter estado recentemente nos cinemas em exibição. Talvez não.
Não consigo recordar-me ao certo da página do livro, uma vez que já me tinha fartado de ler, mas era qualquer coisa como na página seis. Foi então nessa página, chamemos-lhe assim, seis, que encontrei aquilo que mais temia: uma borboleta morta? Não. Mas quase tão mau quanto isso. Jazia ali a palavra ominoso. Retorqui, ainda que mentalmente, com um, não temido mas temível, “Uau!" e foi prontamente que me dirigi à minha Mãe em busca de solução para o meu mais fresco enigma. Qual não foi o meu espanto, misturado com horror, quando oiço algo que me soou tal e qual um “não sei o que significa”. Era grave. As Mães sabem tudo, e se esta Mãe não conhecia o significado, revelava-se então uma tarefa muito mais árdua do que algum dia se imaginara. Tinha que respirar, obviamente, mas mais fundo que o habitual, e tomei assim, respirando, a decisão de me dirigir a este mesmo computador cujas teclas levam, nada carinhosamente, com os meus dedos em cima. Dei então origem a um novo documento Word. É que é este quem me safa, com as suas listas de sinónimos, quando ocorrem situações de terror que nem esta. Mas foi aí que me apercebi de que era ainda mais grave que o que eu podia fantasiar: nem mesmo o Microsoft Word me podia fornecer um sinónimozinho que fosse. Tinha que colocar as mãos à obra, bem como o cabo da net no respectivo orifício.
Começou assim uma delicada jornada a algo que tem como nome qualquer coisa acabada em –icionário (aqui podia acusar o website, mas patenteio que me esqueci completamente do raio do nome). Efectuei certos e determinados passos, nomeadamente alguns, e foi então que, após um esforço colossal – note que a minha testa sua apenas por recordar isto -, encontrei cerca de dois sinónimos para o maldito mas, tinha a certeza, bem dito e escrito vocábulo ominoso, que, vim a descobrir mais tarde, era mesmo ominoso.Este website fez então questão de enumerar os seguintes sinónimos da minha cara, em todos os sentidos do termo, palavra: agoirento; nefasto; abominável. Afinal são três.
Chego finalmente ao ponto fulcral desta posta: após uma longa e bem dura investigação, posso afirmar, com toda a convicção que consigo neste momento amanhar (peço desculpa ao leitor se não lhe consigo dar toda a que esperava e merecia, mas convém ter em conta a hora da escrita deste documento), que, no dia em que escrever um documento cujo título deva ser O Abominável Homem das Neves, a palavra abominável poderá, de facto, ser por mim alterada para ominoso, e isso fará de mim alguém muito mais inteligente perante o olhar, o cheirar, o ouvir e o sentir de muito boa gente. E quer-me cá parecer que esse dia é o de hoje.

Tributo a Bruno Aleixo

Se não está familiarizado com aquele episódio d’O Programa do Aleixo em que, passo a citar, o Jogo de Casa somos nós a jogar na consola, que é para ver se tu te calas, aconselho-o vivamente a, antes prosseguir com a sua leitura, ir ao youtube efectuar uma pesquisa em que será razoável colocar como palavras-chave: bruno; aleixo; street e fighter. Caso contrário perder-se-á por completo a pouca piada que esta minha animação possa ter. A sério.
Se já chegou a este parágrafo é porque é obediente e, das duas uma: ou leu que só era autorizado a continuar caso já conhecesse o tal episódio, e assim o fez, como ordenado; ou leu que só era permitido continuar caso já conhecesse o tal episódio e, como tal, encaminhou-se ao youtube e fez o que mandei. Seja como for, anima-me, apreciado leitor, a sua subserviência. Muito bem.
Tomo então a liberdade de o premiar com o seguinte vídeo:

GoAnimate.com: Bruno Aleixo - Jogo de Casa by sovaco

domingo, 28 de junho de 2009

"Sovaco tem macacos no cu"

Obrigado, Pedro do Monte. É realmente este o problema que não me deixa ser feliz por completo. Porque é que não posso fazer aquilo que mais gosto só porque os outros acham errado?
Esta é uma introdução à prenda mais bonita que recebi até hoje, que passo a publicar aqui em baixo a partir de... Agora.

Enjoy.
P.S: Sovaco é o meu pseudónimo.

GoAnimate.com: Sovaco tem macacos no cu by herpes genital

sábado, 27 de junho de 2009

Isto é outra ameaça

Venho, mais uma vez, por este meio ameaçar toda aquela gente que insiste em utilizar expressões estúpidas.
Decorre neste momento a época de exames, pelo menos para algumas pessoas, e oiço por aí gente a dizer que tem de atacar os livros para ver se tem boa nota. O que é que eu tenho a dizer a essas pessoas? Nada. Mas confesso que o que me apetece, realmente, é calçar um bom par de luvas brancas, descalçar de seguida uma delas e bater com a mesma na cara de quem ouse afirmar à minha frente que vai atacar livros. Até porque eles não têm culpa de nada.
Portanto: a não ser que seja num contexto Wushu, Sumô ou de luta-livre, é também terminantemente proibido afirmar tal parvoíce.
Proponho, em jeito de conclusão, que fique o prezado leitor a pensar no acto de atacar livros. Para mim, a única forma de o fazer é com murros, pontapés e moshing e, sinceramente, não consigo perceber de que forma isto me ajudaria a passar num teste.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Há coisas que me aborrecem, nomeadamente certos e determinados assuntos

Se isto não é razão para eu me indignar, então também não sei o que é que é.
Não obstante o facto de me interromperem a novela (cujo nome não posso referir, mas que começa pela palavra Caminho, acaba em Índias e tem no meio a palavra das) com uma notícia de última hora em que o senhor do Pop morrera, vêm ainda substituir a novela seguinte IN-TEI-RI-NHA (também não posso dizer o nome, mas atrevo-me a adiantar que começa por Podia acabar e termina em mundo) por todo um jornal de última hora, dedicado inteira e totalmente ao Michael Jackson.
Porquê? Porque é que isto tinha de acontecer precisamente hoje, dia em que me sinto particularmente aborrecida, e dia este em que decidi seguir as novelas com atenção? Só pode ser para chatear.
Já agora fica no ar: faleceu hoje, muito primeiro que o Jackson, a conceituada actriz Farrah Fawcett. Para divulgar a morte dela puderam esperar pelo jornal das 20h para o fazer e, quando o fizeram, a informação foi partilhada em pouco menos de um minuto. Agora, só porque um homem-zombie, pedófilo e tarado perece, têm de interromper o meu programa e cancelar os seguintes? Não acho certo. Não acho.
Para o parágrafo anterior não se sentir sozinho enquanto paira no ar, solto também este: porque é que as pessoas, mesmo que sejam as piores do mundo, quando morrem passam a ser as melhores e mais queridas? Este personagem era, se bem me lembro, até ontem, falado e (re)conhecido pelas piores coisas: suposta pedofilia, podridão aguda, entre outros. Contudo, agora que morreu, era uma óptima pessoa, aquele que vendeu mais discos até hoje, aquele que era fofinho quando tinha 5 anos, aquele que um dia, num passado muito longínquo, não foi assustador.
E já que estou numa onda de perguntas pertinentes: como é possível as criancinhas, que ele arrastava consigo para todo o lado, não terem medo dele? Eu, se fosse criancinha, tinha. Aliás, não sou criancinha (não sou!) e, ainda assim, tenho medo da cara dele. Ou tinha.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Olhó Magalhães f'esquinho!



Há quem diga que Deus dá nozes a quem não tem dentes. Eu cá digo:
Sócrates dá Magalhães a quem não tem luz em casa.


Ora bem, é após longos meses de uma greve contra mim mesma, em que não escrevia neste blogue como gesto de rebeldia, que venho surpreender o meu estimado leitor com mais uma ideia sublime.
Tenho connects, e esses connects fazem-me aperceber, dia sim, sia dim, que esta coisa do Magalhães é um bocado... Vá, não querendo ser maldizente, chamo-lhe ridícula. Anda para aí gente que, peço perdão pela expressão, não tem onde cair morta, e vêm estes aqui (neste momento estou a apontar para um jornal que contém uma certa imagem que representa o governo português) vangloriar-se só porque proporcionam a toda e qualquer classe social a aquisição de um computador. Isso também eu! Também eu proporcionaria, não fosse isso estúpido. Se isto ainda não tivesse sido posto em prática, eu propunha: "Ó amigo, que tal ires antes distribuir comida e cobertores aos pobrezinhos?" Mas já que já está a decorrer, ainda que mal e porcamente, eis que surge (após me ocorrer que - não querendo dar ideias a ninguém - se fosse pobre, vendia o meu Magalhães) a brilhante ideia:
Far-se-ia então, nesta ideia, a vontade ao Sr. Dr. “Engenheiro” e trocava-se-lhe enfim o lugar com o de Deus. Mesmo sendo apenas no ditado. Ficava Deus com a parte dos Magalhães, que seriam repartidos pelos desdentados, e passaria a ser Sócrates o encarregado pela distribuição das nozes: não a quem não tem dentes, que esses contentar-se-iam muito bem com os computadores, mas sim a quem não tem luz em casa. É que, não sei porquê, tenho a ideia de que estes não ficavam nada tristes ao poupar na comida, o que aconteceria ao receberem nozes; e o senhor Primeiro-ministro, por sua vez, faria mais ou menos boa figura. Uma vez na vida.
Sim, eu sei que estou sempre a surpreender com esta refulgência das minhas ideias, mas pode fechar a boca. Já devia estar habituado.
Já agora, quero dar uso à etiqueta "Ortografia" que tenho aqui no blog e, já que estou a tocar neste assunto, quero aqui enfatizar o facto de estes computadores mágicos estarem recheados de erros ortográficos, quando o principal objectivo é - supostamente - ensinar criancinhas a ler e a escrever como deve ser. Ou então, aderindo à onda do Magalhães, talvez deva dizer "como deve de ser".

terça-feira, 28 de abril de 2009

A descer é mais rápido que a subir

Não consigo deixar de estar chocada com o facto de, com isto da gripe suína, ver que a muita gente o tema passa ao lado. É realmente grave, e aconselho à população, já que usa a internet para tudo e mais alguma coisa, ir procurar a definição de pandemia.
Mais uma vez o nosso país parece querer destacar-se e, já que não pode ser positivamente, que seja então pela negativa. Desta vez decidimos, ao contrário do mundo inteiro, ignorar esta terrível ameaça e deixá-la passar ao lado.
Em qualquer aeroporto que não português se passou, imediatamente, não só a aconselhar as pessoas a não viajar para o epicentro da pandemia, o México, mas também a fazê-las passar por testes que as impedem de viajar caso apresentem sintomas parecidos com os da gripe.
Passaram meia dúzia de dias e as vítimas, mortais e não mortais, tendem a aumentar numa velocidade exorbitante. Mas isso parece não ser sério o suficiente para sequer se ter o trabalho de pensar numa simples distrubuição de folhetos acerca do assunto. Os números triplicam e, segundo consta, já foi posto algo do género em prática, mas ainda não deve ser grave ao ponto de se colocar alguma espécie de protecção nos aeroportos, que são apenas a porta da frente por onde a gripe poderá entrar no país. Pelos vistos nem vai precisar de bater à porta.
Esta é também uma oportunidade para a população dar a conhecer a sua forte opinião sobre certos e determinados temas, e um bom exemplo disto será uma entrevista que a televisão nos trasmitiu. Dizia então a pessoa que decidiu cancelar a sua viagem ao México. Desta forma, proposta pela agência de viagens, uma possível alternativa seria uma viagem às Caraíbas, mas isso está completamente fora de questão. É que, segundo a lógica (pelo menos a dela), as Caraíbas estão por baixo do México. Ora, se está em baixo, vai a descer, e a descer chega lá muito mais depressa.

domingo, 26 de abril de 2009

Esta ideia tem direitos de autor


Se eu fosse o senhor da Marvel, seja lá quem ele for, pegava neste insólito e adaptava a uma das minhas criaturas. Mas como não sou, e como a ideia foi minha, fica aqui exigido desde já que, quando eles aparecerem com um personagem com estas características, vão ter de me pagar.
Este meu personagem é baseado em factos verídicos que se resumem mais ou menos a um pinheiro de cinco centímetros, disfarçado de cancro, nascido num pulmão humano. E russo, segundo consta.
Da mesma forma que temos o Spiderman, um indivíduo cuja vida era aborrecida até ser picado por uma aranha, teremos o FirTreeman, de características semelhantes, mas a quem tudo mudou graças à picada de um pinheiro. Quando passar a existir, esta criatura da Marvel vai ter como super-poder o disparar de pinhas ou de pinhões (dependendo do efeito que pretenda causar) como quem cospe, ou seja, pela boca. Outra coisa que irá também acontecer quando esta criatura passar a existir será uma valente ida ao shopping, da minha parte, em que comprarei tudo o que me aparecer à frente. Isto quer dizer que vou estar rica.
Regressando à realidade, quanto à pessoa a quem nasceu um pinheiro no pulmão, só tenho a dizer que é sortuda. E, segundo as suas declarações prestadas em relação à doença, essa pessoa é a primeira a achar-se sortuda. Pudera*, nem toda a gente tem a sorte de achar ter um cancro no pulmão e afinal sair de lá um pinheiro.
*Dedico esta palavra ao Pedro do Monte. Ele sabe porquê.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Acho que vou fazer um piercing no hombigo


Não, não vou fazer nenhum piercing, e muito menos no umbigo que isso é coisa de menina. Apenas não encontrei a delicadeza necessária à abordagem deste tema, e então resolvi entrar assim um bocado à bruta e tocar logo na palavra-chave. Que não é chave, mas sim hombigo.
Afinal isto de ver televisão até convém que aconteça uma vez ou outra. Sou, ou pelo menos quero acreditar que sim, a fã número um da língua portuguesa. Mesmo que isto não seja verdade, ao menos sei que me encontro naquele extenso grupo que a defende com unhas e dentes. O que se deve resumir a qualquer coisa como dois ou três por cento da nossa população. E já que carrego o fardo de, pelo menos cinco vezes por semana, ter de me levantar super-cedo, aproveito para prestar alguma atenção àquele programa que passa ao longo da manhã - não posso dizer o nome do canal, mas adianto que o nome começa por R, acaba em P e que tem no meio a letra T - em que andam por aí a perguntar às pessoas como é que se diz ou escreve isto e aquilo.
É de relevar aqui que às vezes o meu estômago dá um nó, o que me faz ficar deveras enjoada, ao perceber que, na sua grande maioria, a população portuguesa não conhece, nem de longe, o próprio dialecto.
Mas obrigado, caros compatriotas, por me fazerem sentir, de vez em quando, inteligente. Ou não-burra.
E pergunta o estimado leitor: "Então mas esse programa existe há tanto tempo! Porquê o só falar nisso agora?"; e eu, que não gosto de ser má para ninguém, e tampouco o serei para si que vem aqui ler-me, até vou responder: é que nunca foi dada tão bombástica resposta como a que ouvi ontem.
Perguntava-se então à gente que por ali passava qual era a forma correcta de soletrar a palavra umbigo. Obviamente que, tirando um ou dois gatos pingados (é a primeira vez que escrevo esta expressão), toda a gente respondeu E-M-B-I-G-O. Mas nunca na vida me prepararam para ouvir um "Acho que se escreve Ombigo" ao que, para me colar ainda mais ao chão, foi acrescentado um "Mas leva um H ao início!". Esta senhora teve, portanto, um dia, não um cordão umbilical mas sim um cordão hombilical. Se calhar merece umas palmadinhas no hombro, enquanto lhe cortam as honhas dos pés.
Ora, com tanta gente a espancar sem dó nem piedade (também nunca tinha escrito esta) a língua portuguesa, não admira que certos e determinados elementos nos queiram fazer aderir a este gigante passo (atrás) a que se dá o nome de acordo ortográfico (ou devo dizer hortográfico?): se Maomé não vai à montanha, ela que vá a Maomé; e se o típico português não domina a própria língua, a língua que vá dominá-lo, tornando-se oficialmente mal-falada.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Nhecos!




Eu sei que este Nhecos é um bocado amaricado. Mas juro que não é meu! Prometo que, assim que tiver um melhor, troco a imagem. Por enquanto deixo-o a usufruir, com todo o carinho do mundo, do sentimento de frustração que lhe provoquei com este Nhecos.
Não tem de quê.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Saudinha

Ora bem, corrija-me se estiver errada, mas parece-me que agora, quando adoecer, posso escolher entre o ser bem tratada e o ser mais ou menos bem tratada.Tive mais um daqueles ataques de loucura, e cometi uma vez mais aquele erro de dar atenção ao que passava na TV. Por um lado até é bom, pelo menos para mim, que haja em Portugal situações ridículas como esta: caso contrário não teria assunto para escrever neste blogue. E eu, que até gosto de me rir de vez em quando, vou pensando nestas coisas. E rio-me.
Até agora, uma pessoa carregava consigo o peso da decisão: morrer à fome por ter comprado os medicamentos de que precisava VS morrer por não ter comprado os medicamentos para poder comer. Mas agora tudo está resolvido.
Pelo que percebi, de agora em diante, o, chamemos-lhe assim, cliente está doente, vai ao médico, vai ser tratado e, para tal, o médico receita-lhe medicamentos. Normalíssimo. A novidade aqui é que, como a gente anda sem dinheiro por causa da crise (tenho de começar a anotar as vezes que "a" menciono aqui. Começa a tornar-se hábito.), podemos escolher o medicamento que se adapta melhor ao nosso bolso. Ponho-me aqui a imaginar, e o que me sai é qualquer coisa como:

- Boa tarde!
- Boa tarde! Como está?
- Olhe, cá vou indo, tirando esta infecçãozinha no pâncreas... Mas não há-de ser nada. Por falar nisso, venho aqui buscar uma coisa para me tratar.
- Passe pra cá a receita.
- Tome. [Silêncio] O Sr. farmacêutico por acaso não tem aí algo que me fique mais em
conta, não? É que ainda só vamos a 15 e não dava muito jeito ficar sem comer até ao fim do mês, sabe?
- Olhe, por acaso até tenho. Está aqui este Manipulan*, custa X; se for bem tomadinho daqui a uns 5, 6 dias está aí rijo que nem um pêro. Também temos aqui este que, como é mais barato, é capaz de demorar mais uns diazitos, mas deve fazer efeito à mesma. Qual é que vai querer?
- Olhe, lá vai ter de ser esse. E não tem aí nenhuma marca comprimidos para o coração diferente da do costume? É que também preciso de levar para a minha esposa, mas para esses não tenho mesmo dinheiro.
- Tenho sim, senhor! Tome lá estes, custam mais de metade do preço dos outros, se calhar é capaz de fazer só metade do efeito, mas o que interessa é que possa pagar!
- Obrigado. Saudinha.

E eis a palavra-chave deste artigo: saudinha. Mantenha a sua saudinha. É que, tal como o caviar e outras coisas assim que são só para quem pode, nos dias de hoje não nos podemos dar ao luxo de adoecer.



*Manipulan foi um nome que inventei para um possível medicamento. Espero bem que não exista.

domingo, 5 de abril de 2009

Kurt Cobain dominava o madeirense

Antes de mais, obrigado Joana, por me teres aberto os olhos em relação a isto.

Foi graças à minha irmã Joana Mariza que descobri uma coisa que sem a qual a minha vida não fazia sentido. Era realmente estranho o facto de, todos os dias, cada vez que deixava um lugar, ter sempre a sensação de que me faltava algo, mesmo não me tendo esquecido de nada. Tenho a certeza de que a partir de agora nunca mais vou sentir isso.
Passo a escrever a descoberta: O Kurt Cobain falava madeirense. E eis a prova: tenha, o estimado leitor, atenção à primeira frase cantada pelo Rei. Vai concordar comigo imediatamente e vai achar-me super fixe por lhe dar a conhecer tal facto. Até agora toda a gente pensava que o primeiro verso da música Smells Like Teen Spirit era Load up on guns. Mas temos de saber ler as entrelinhas, e o que as entrelinhas dizem é que não há pão quente. Com sotaque madeirense. Veja (ou oiça) para crer e, se for mentira, pode dar-me quantos carolos quiser.


Nirvana Smells Like Teen Spirit Official - The funniest videos are a click away
.
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.
É, não é? Eu disse...


quinta-feira, 26 de março de 2009

É por estas e por outras que tenho de parar de perder autocarros

Está a ver, caro leitor, aquela felicidade com que ficamos quando acordamos super-cedo e sabemos que temos um longo dia de trabalho pela frente? Pronto, era isso mesmo que estava a sentir, misturado com sono, naquela manhã em que tentava cumprir com a minha rotina (é ela: acordar a horas indecentes, perder o autocarro e perder o autocarro a seguir àquele que perdi).
Calhava mesmo bem um cafezinho. Como acabara de chegar à paragem uma senhora com cara de quem ia apanhar o autocarro, e como a minha vontade de tomar café só seria satisfeita caso fosse esclarecida a minha dúvida em relação à hora certa do bus, decidi sacar-lhe informações.
Começei com um "Olhe, a senhora descul..." mas fui interrompida por um forte "Ai! Nem tava-ta conhecer! Dá cá dois beijinhos.". E eu dei. Forçada, mas dei. Foram apenas dois segundos de estupefacção, mas com a quantidade de interrogações e caracteres esquisitos que me passaram pela cabeça podia muito bem ter passado muito mais tempo. Foi com enorme cautela que ponderei sobre o dilema de continuar ou não, afinal de contas, com o que ia perguntar. Era gigante a probabilidade de, se pedisse a tal informação, a pobre senhora se aperceber da estupidez da situação e de, por conseguinte, se sentir extremamente ridícula. Eu, pelo menos, sentir-me-ia assim.
Foi então que me dei conta de que seria muita giro se continuasse. E continuei: "A senhora por acaso não sabe a hora certa do autocarro, não?". Foi a melhor coisa que podia ter feito porque, numa espécie de dois em um, consegui sacar-lhe a informação e também contribuir, espero eu, para que alguém, para além de mim, se sentisse parvo. Gostei.
Apesar de tudo, talvez transforme esta técnica de fingir que se conhece gente que na realidade não se conhece numa coisa divertida: a partir de agora, cada vez que alguém desconhecido vier ter comigo a querer sacar informações, vou fingir que o conheço. Pode ser que me paguem um copo, ou assim.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Isto é uma ameaça

Venho por este meio ameaçar de morte todas aquelas pessoas que insistem em utilizar a expressão "doce de pessoa" sem ser num contexto culinário. É de mim, ou um doce de pessoa é algo que está ou devia estar naquela parte das sobremesas num menu dum restaurante? O que me passa pela cabeça quando oiço "doce de pessoa" é a imagem de mim mesma a folhear um livro de receitas - não que eu tenha por hábito folhear livros de receitas - e encontrar na página 84 o seguinte:



Doce de Pessoa

Ingredientes:
- 2 kg de pessoa
- 1,6 kg de açucar
- 4 dl de água
Preparação:
Lava-se a
pessoa, tira-se-lhes os pés, escorre-se e enxuga-se muito bem com um pano para
retirar o excesso de água. Ferve-se o açúcar com a água até atingir o ponto de
espardana. Deita-se a pessoa, que se deixa ferver em lume brando até fazer
ponto, não muito alto porque o doce fica endurecido.


N.B. Também se pode deitar algumas gotas de limão
quando sai do lume.
Quando não me passa isto pela cabeça quando oiço a tal expressão, é porque me ocorreu primeiro a imagem de mim mesma na cozinha a abrir as portas do armário onde se encontra um conjunto de potezinhos, cada qual com a sua etiqueta: "Doce de Morango", "Doce de Laranja", "Doce de Framboesa", "Doce de Pessoa"...
É, portanto, a não ser que seja canibal, absolutamente proibido dizer ou pensar que o fulano tal é um doce de pessoa.

terça-feira, 17 de março de 2009

Proibido ir ao WC (A não ser que seja estúpido ao ponto de pagar por isso)

Não sou grande adepta da televisão, só que ainda sofro daquele problema em que, de repente, não tenho nada para fazer e em que acabo por, num acto de enorme desespero, carregar naquele botão parvo que normalmente diz, ou quer dizer, on.
Aconteceu outra vez, e talvez não fizesse tão mal já que àquela hora era o Telejornal que estava no ar. Mas fez. E há coisas em relação às quais uma pessoa prefere permanecer na ignorância e, sinceramente, preferia não ter conhecimento do facto de agora ter de pagar para utilizar uma casa-de-banho, caso me encontre num avião. Mas já que sei disto, pergunto-me: quem será o idiota de quem partiu esta brilhante ideia? E, indo mais longe, coloco ainda a questão: como é que eu nunca tive essa ideia?Para já, posso afirmar seguramente que este indivíduo, cujas ideias me fazem crer que é um génio, é um artista. Aprendi na faculdade que um artista é aquele que pensa no que não foi pensado. Aprendi também que nós, as pessoas, temos a mania de desvalorizar as obras do dito artista ao pensarmos "Ah! Grande coisa, até eu fazia isso.". O certo é que, sim senhora, fazíamos, mas não fizemos, sendo isto o que nos distingue do artista.
Quero acreditar que sou, neste momento, o que vem dar mais credibilidade ao parágrafo anterior, uma vez que tenho a mania que aquela ideia podia muito bem ter partido de mim. Por acaso podia. Mas não tive a rapidez e eficácia suficientes para a ter primeiro.
Os tempos que correm obrigam-me a, mais uma vez, tocar no assunto da crise. E que altura melhor que não a de crise para nos aproveitarmos de tudo e mais alguma coisa para ganhar dinheiro?
É, na minha opinião, um bom começo: agarrar nas necessidades fisiológicas das pessoas e fazê-las pagar por isso. Genial! É que uma pessoa, por mais que tente, não consegue aguentar muito tempo o xixi e/ou o cocó sem começar em verdadeiro sofrimento (Note que, já que é a minha opinião, falo segundo a minha própria experiência). E estando lá em cima, estamos sob muito mais pressão - nos vários sentidos da expressão. É, de facto, genial.
De momento, estou a pensar seriamente em lançar o boato de que isto partiu de um qualquer funcionário, talvez hospedeiro, da Ryanair cujo hobbie é ser dono de uma marca qualquer de fármacos daqueles que provocam o efeito exactamente contrário do laxante. Nem consigo imaginar o dinheiro que esta pessoa vai ganhar com tanta gente a tentar conter-se nas viagens de avião. Este boato que estou a lançar a partir de... Agora!... Faz todo o sentido e, já agora, admito que sempre quis conhecer a sensação de começar um.
Resta-me enfim aplaudir esta mente brilhante. Se pagamos, normalmente, para a comida entrar*, porque é que havemos de não pagar para a mesma sair?


*(ao comprá-la)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Como é que se vai para Óbidos?







Foi num daqueles ataques de loucura que decidimos meter-nos no carro e viajar. Sabe-se lá para onde. Queríamos praia, e qual o melhor lugar para isso senão um dos únicos sítios de Portugal que não tem praia? Foi então que aconteceu. Estávamos a caminho de Óbidos e foi na estrada nacional, algures entre Coruche e Montemor-o-Novo, que decidimos aperceber-nos de que Óbidos não era para ali; estávamos, afinal, a caminho do Alentejo.
"Seja.", pensámos, tenho a certeza, os cinco em simultâneo.
E lá íamos nós, todos cheios de felicidade e coisas assim do género na tola, desta vez com o intuito de parar em Évora. Mas acabámos de jantar e lembrámo-nos de que o que queríamos era praia. Agarrou-se no carro e partiu-se, supostamente, em direcção a Óbidos.
Seguindo à mesma pela nacional, chegámos finalmente a Setúbal. Setúbal?
"- Elá, isto aqui tem Tróia! Tróia é tão fixe, é tipo Las Vegas (...) vamos ao casino (...) quero jogar bowling (...) Nem sequer se paga os autocarros, que fino!"
Navegámos até à ilha, quais Piratas das Caraíbas, mas o nosso paraíso cheio de gajas boas e casinos transformou-se numa ilha deserta. Habitada apenas por gatos-zombies. E um cão. Talvez zombie. Por falar em zombie:
"- Não era para Óbidos que queríamos ir? (...) Eia pois é! Vamos lá, colegas! São quatro da manhã e vamos percorrer um terço de Portugal porque nos lembrámos que afinal estávamos a caminho de Óbidos, quando saímos de casa às 5 da tarde."
E lá seguimos nós, ainda pela nacional, a caminho de Óbidos. Demos por nós em Almada, em contra-mão numa faixa onde apenas autocarros podem passar. Almada - Lisboa. Lisboa - Santarém. Santarém - Tenho fome. McDonalds. Está fechado? Então sigamos para Torres Novas, são quase seis da manhã mas temos fome e vamos andar mais não sei quantos mil quilómetros para aconchegar o malandro do nosso estômago.
Chegada a Torres Novas. Seis e tal da manhã. "Malta! O Mac não fechava às seis? (...) Olha pois fechava. Vamos embora então."


Por favor, alguém me diz para que lado é que fica Óbidos?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Dilema de Carnaval

Não pude deixar de reparar no dilema pelo qual a maioria da população está a passar neste momento. Vejo passar à minha frente frases vindas de todo o lado (conversas alheias, hi5's, messengers) e todas elas mostram a grande preocupação dos dias de hoje. "A crise, claro", pensais vós sem serem precisas mais pistas. Mas não! Apesar de tudo, não é essa a principal preocupação, pelo menos, dos portugueses. É, afinal, o que vestir neste Carnaval.
É, de facto, um dogma. Isso para mim não se pergunta. Aliás, a pergunta aqui a ser feita por mim é: onde me escondo neste Carnaval?
Há anos que não vivo um Carnaval, e ainda bem. A última vez que me mascarei deve ter sido aquela em que fui de vaca. Ah, não isso foi na primeira classe. Talvez à espanhola, ou à princesa. Adiante.
Aposto que nunca ninguém se perguntou donde veio o Carnaval. Devem pensar que havia para aí um senhor com esse nome e que gostava de ser outras pessoas/coisas e que então inventou este dia, só porque sim.
O Carnaval é mais uma daquelas ocasiões em que até aquelas pessoas que se dizem contra as religiões e assim, festejam. O que é ridículo. O Carnaval existe graças à Igreja Católica. O Carnaval é o que vem naqueles quarenta dias e quarenta noites de jejum, no primeiro dia da Quaresma. A palavra carnaval está relacionada com a ideia de afastamento dos prazeres da carne marcado pela expressão "carne vale". Foi isto que formou a palavra CARNAVAL.
Peço perdão por dizer isto assim, sei que é duro, mas mais dia menos dia teríeis de saber.
Mas, respondendo à realmente importante questão, penso que desta vez me deixarei ficar por cá; talvez debaixo da cama estarei bem escondida. Se bem que hoje o meu sono foi atacado por um desfile de pobres e inocentes criancinhas, suponho que todas mascaradas. Se calhar debaixo da cama não será suficiente.
Tenho, portanto, um problema. Não é o da crise, não, mas ao menos faz muito mais sentido do que o que anda por aí a invadir o pessoal.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

SMOKING seriously KILLS


Mais uma vez, e como são as coisas parvas as que não me passam ao lado, estou indignada. Afinal, se não é para isto que os blogues existem, então também não sei para que servem.
Apercebi-me há já algum tempo de que, da mesma forma que nos nossos maços de tabaco nós temos o "fumar mata" ou o "fumar prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam", os ingleses têm o mítico "smoking kills" ou o, e é aqui que quero chegar, "smoking seriously harms you and others around you". Ou seja, como boa portuguesa que sou, vou traduzir isto à letra, o que resultará num "fumar seriamente provoca não sei o quê". O que está mal feito! Quer dizer, uns são filhos e outros enteados, não?
Lá porque uns inconscientes quaisquer andam para aí a fumar na brincadeira, não quer dizer que outros, que o fazem mais seriamente, o que, digo eu, é a forma mais correcta, se lixem. Há distinções, queres ver? Ou é para todos ou não é para ninguém.
Proponho então duas soluções: ou desejo desde já um valente "TOMA! Bem feita!" a esses armados em carapaus-de-corrida que um dia destes vão estar, coitadinhos, a fumar todos sérios porque o dia até está a correr super-mal e até está um tempo deprimente; ides então ver o que é bom para a tosse - atrevo-me a acrescentar aqui um "literalmente" - e deitar-vos-ei a língua de fora enquanto emito também um ruído, o que soará mais ou menos a isto: nha nha nha nha nha nha.
Uma outra possível solução é apelar a um pouquinho de cinismo da vossa parte, fumadores sérios, em que fumariam como que na brincadeira.
Confesso que é a primeira opção a que mais me agrada, mas o que está aqui em causa é a igualdade de direitos e não a minha própria satisfação.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Paraskavedekatriaphobia


Ora bem, já que hoje é o tal dia do ano em que nos é suposto ter montes de azar, aproveito para falar da Sexta-feira 13. Todos sabem o que é, em que consiste, enfim... o treze é um número feio, irregular, logo, dá azar. A sexta-feira é o dia em que Cristo foi cruxificado, e tal, é dia de azar. Ao se fundirem os dois ícones do Azar, surge uma espécie de super-guerreiro - como no Dragon Ball, se os personagens fossem dias do ano - do Azar. Certo? ERRADO!
Para já, a sexta-feira devia ser um dia que atrai a sorte, já que é à sexta-feira que quase toda a gente entra de fim-de-semana. Logo, se há dia fixe para se ter sorte é à sexta. Toda a gente vai para o emprego feliz e aposto que toda a gente, só de pensar que depois deste dia haverá enfim descanso, até trabalha melhor. Por mim, o dia mais azarado da semana podia ser a terça-feira: é que desde que me lembro que tenho sempre aulas à tarde nesse dia.
Quanto ao treze... Sim, é um número feio. Mas o dezassete, por exemplo, também é um bocado feioso e não é por isso que se tem medo dele!
Em relação ao se ter montes de azar neste dia (há imensa gente que crê mesmo que aqui tudo o que acontece é azar, chega a ser fobia - daí o título "Paraskavedekatriaphobia"), isso é psicológico! No dia-a-dia acontecem sempre coisas boas e más, por mais insignificantes que sejam. É claro que, se passares o dia a pensar que vais ter azar, até o facto de bateres com o dedo mindinho na esquina da mesinha de cabeceira pela manhã, quando estavas tão ensonado que te esqueceste pelo 32º dia consecutivo que aquilo ali está e que fazes sempre isso, vai ser por culpa da Sexta-feira 13.
Mas se assim é, porque é que não criam um dia da Sorte? Desta forma até se levantava um bocadinho a moral do pessoal que, com esta crise instalada, bem precisamos. Por exemplo, o seis, que até é bonito e que é um número perfeito (pelo menos segundo a Matemática), ficava muito bem num possível Dia da Sorte. Deveria era ser à sexta-feira, pelos motivos que já referi, mas como já está a ser usado passava a ser... Vá, o Sábado, que também é fixe.
Teríamos então o Dia da Sorte, o Sábado 6 (não soa muito bem mas isso é porque ainda não nos habituámos), e, nesse dia, todas aquelas coisas a que no dia-a-dia não ligamos nenhuma mas que acontecem, como aquelas vezes em que achas moedinhas na rua ou em que acordas às sete da manhã e até nem te custa a levantar, seria por culpa do Dia da Sorte.
Quanto a mim, a partir de agora acredito neste Sábado 6 e vou viver muito mais feliz.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A inutilidade de certas e determinadas coisas

Venho aqui impôr a minha indignação a quem a quiser ler.
Passeando pelo hi5, encontrei uma foto do meu estimado primo sentado numa escadaria em Camden Town, Londres (Poria aqui a foto, mas não quero ser processada). Nessa tal foto, ao lado dele sentado nos degraus, está uma placa que tem escrito o seguinte: please, do not sit on the stairs.Ora, aquilo é ao pé das barracas de fast food onde não há sequer bancos para sentar, e é óbvio que, num sítio onde há carradas de pessoas de noodles e ales na mão, degraus ali serão usados para nada mais nada menos que sentar! Não sei, digo eu.
Eram, portanto, escusadas tais advertências. Mas o mesmo se passa em relação aos pobres dos pombos: em todo o lado se veêm placas a dizer please, do not feed the pigeons, ou, em português, é proíbido dar de comer aos pombos - até nisto se nota a diferença entre Portugal e o UK: cá, é proíbido; lá, pedem por favor para não fazermos determinada coisa.
Já que toco neste assunto, admito que até tem a sua piada o ser-se todo polite como os ingleses o são. A minha lei preferida é aquela em que não é proíbido beber alcoól antes dos 18, mas em que ao invés se pede para, por favor, não se ficar chateado se nos pedirem identificação: é que isso quer dizer que somos sortudos por aparentarmos sermos menores de 21!
Faz sentido, é uma espécie de psicologia invertida. Aposto que assim há muito menos infracções. Como o fruto proíbido é o mais apetecido... Eles não proíbem, apenas pedem para não fazer certas e determinadas coisas. E infringir regras destas não tem piada!