Pages

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Tirar o cavalinho da chuva ou não tirar o cavalinho da chuva: eis a questão

Hoje acordei, abri os olhos, levantei-me, rastejei até à cozinha, sentei-me, bocejei, abri os olhos (afinal não estavam bem abertos), cocei a perna, abri a boca e murmurei algo que, apesar de soar a uma qualquer língua alienígena, queria dizer: vou beber um leitinho com café. Ao que, muito bruscamente, me respondem que Nem pensar! Podes tirar o cavalinho da chuva! Não temos café.
Ok, se calhar isto é mentira, até porque hoje acordei em Londres e, até ver, em Londres não utilizam a expressão tirar o cavalinho da chuva. Mas, por acaso, a parte do não haver café é verdade. Acabou-se ontem. Na verdade, inventei esta história dramática (-mente estúpida) só para poder dar uso a esta expressão que, apesar de constar no meu Best Of Expressões Parvas, tanto odeio.
Podem achar que levo tudo ao pé da letra, mas é que não consigo impedir de entrar na minha cabeça, ao ouvir isto, a imagem de um cavalo a apanhar chuva e de alguém a ir lá buscá-lo.
Esta história que contei não aconteceu mas podia ter acontecido e, mais uma vez, não percebo. Não consigo perceber porque é que, só porque não posso realizar algo, tenho de ir procurar um sítio com cavalos e que esteja à chuva só para trazer um deles para um abrigo. Isto vai ajudar em quê, exactamente? É que, se for mais um daqueles métodos anti-stress, acho que prefiro desenfastiar-me numa daquelas bolas fofinhas que levam o stress embora.

Dar um pulinho: a felicidade que está debaixo do nosso nariz

Venho, desta vez, por este meio convidar toda a gente a viver num mundo melhor e, quem sabe, sem estupidez. Se é isto que quer, tem toda a permissão para prosseguir para a frase seguinte. Muito bem. Ora, pode parecer complexo e impossível, mas a solução para este novo mundo está bem debaixo dos nossos narizes. Por favor, parem de utilizar a expressão dar um pulinho, a não ser que tenham mesmo a intenção de efectuar um. A sério.
Costuma acontecer-me apanhar do ar conversas que começam com qualquer coisa como “Vou dar uma festa, quero muito que vás” e que acabam com algo do género “Estou muito cansado/Tenho coisas para fazer, mas posso ir lá só dar um pulinho”.
Acabo de ouvir isto e, após ir à casa de banho fazer o que este tipo de conversas me dá vontade de fazer, ponho-me a imaginar em que sentido é que o facto de uma pessoa chegar à festa da outra, pular e, de seguida, ir embora, vai influenciar na felicidade de outra. Confesso que nunca ninguém foi a uma festa minha para dar um pulinho mas, se isso faz tão bem a quem vê o pulo acontecer, da próxima vez que estiver doente ou triste, ou até ambos, vou pedir a alguém que vá ao pé de mim pular. Pode ser que me sinta melhor.
Já que estou numa de relevar a estupidez de certas e determinadas expressões, aproveito para enfatizar também a parvoíce da expressão debaixo do nariz, que fiz questão de utilizar no início deste texto para poder falar nela e fazer deste um documento com mais palavras. Morte (no bom sentido) às pessoas que afirmam que algo está debaixo do nosso nariz quando, na verdade, não está. O que é quase sempre.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Faça seis, pague meia dúzia


Este assunto é de tal maneira… coiso… que nem sei de que forma o abordar. Se calhar vou directa ao assunto: segundo Luís Graça, excelentíssimo senhor director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santa Maria, o segundo aborto devia ser a pagar.
Isto é, na minha opinião, um bocado engraçado, uma vez que me faz lembrar uma daquelas promoções que se costuma fazer, principalmente em inaugurações de estabelecimentos, a fim de se atrair mais freguesia.
Tenho este exemplo aqui: um centro de estética, situado em Faro, cujo nome não posso referir – até porque não sei – lançou, aqui há tempos, uma super-promoção em que, na primeira vez do cliente naquele lugar, se recebe um serviço completo totalmente grátis. Aproveito, já agora, para manifestar uma das minhas maiores ambições, que consiste em qualquer coisa como arranjar um plano infalível que me permita fazer os senhores desse estabelecimento pensar que, de cada vez que lá for, sou uma pessoa nova, podendo desta forma usufruir de serviços completos à borla - o que, dado a minha nacionalidade, seria extremamente satisfatório.
Ainda em relação à promoção do centro de estética, tem tudo a ver com esta citação do Doutor Ginecologista. O que eu entendo, pelo que ele conta, é que nos estão – às gajas – a oferecer um aborto. É uma táctica, na minha opinião, extremamente eficaz. Cada vez que oiço destas promoções sei de montes de gente a lá ir aproveitá-las. E depois não querem que a taxa de interrupção voluntária da gravidez aumente.
Qualquer dia lemos por aí à porta dos hospitais:


Leve
(ou faça)
três,
pague
dois.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tentativa de elogio a algo fixe


Isto pode soar a absurdo, mas este texto vai ser escrito tendo eu como base o intuito de elogiar algo. Não é, de todo, minha intenção decepcionar - e passo a dar uso aos meus dez anos de vivência no Ribatejo utilizando a seguinte expressão - as pargas de leitores que, através deste blog, me vistoriam. Mas é que, pensando bem, se os blogs servem para criticar tudo e mais alguma coisa se calhar também o posso fazer de uma forma positiva. Mesmo não me dando tanto gozo…
Ora, tendo em conta a data de hoje (se for erudito ao ponto de efectuar cálculos daqueles mais ou menos simples em que se utiliza, normalmente, um mais, ter-se-á dado conta, desde há vinte e cinco palavras atrás, deste “algo” que vou aplaudir dentro de momentos), pode chegar-se à conclusão de que dois dias é o tempo aproximado de que alguém como eu precisa para recuperar minimamente de uma série de concertos e poder, assim, escrever sobre eles. Estou então a falar do primeiro dia do Optimus Alive do presente ano.
E o que eu tenho a dizer sobre este acontecimento é:

Foi bonito.
Porque é que foi bonito? Porque sim. Se quer saber o motivo, é porque não lá esteve. Se não lá esteve: estivesse. (Este é aquele momento em que, sem querer, deixo cair a máscara e me revelo, por breves instantes, matreira; mas, apercebendo-me a tempo, disfarço com toda a subtileza e o leitor passa a ter, outra vez, exactamente a mesma opinião - seja lá qual for - que tinha antes de ler esta parte do texto.)
Confesso que não sou muito boa nisto de elogiar coisas, mas garanto que dei o meu melhor ao compor este meu depoimento de duas palavras sobre o festival.
Contudo, como não podia deixar de ser, há algo que me indigna: ia sendo distribuído, por quem entrava no evento, uma série de colares de flores, parecidos com aqueles que as pessoas insistem em usar no Hawai, mas cujos fios piscam. Em dois sítios! Apesar de achar aquilo um bocado maricas, usei, à cintura: é que, unido ao colar, havia um mini cartaz do evento, com horas e tudo. Por acaso até deu jeito, mas, como foi exposto ali em cima, já passaram quase dois dias. E não é que esta porcaria ainda não parou de piscar? Já agora, aproveito a boleia das piscadelas para verificar até que ponto sobrevivem, mas o facto é que fico, obviamente, abespinhada com isto.