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segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Ominoso Homem das Neves (que é como quem diz: O Yeti)

Já vos disse que sofro de boredomness aguda? Nunca me queixei disto ao médico mas, quer tenha sido inventada por mim, quer não tenha, esta doença tem como principais sintomas o enorme desespero que se faz sentir quando uma pessoa dá uso ao verbo lobrigar e, lobrigando, apercebe-se de que não tem nada para fazer. Obviamente quis aqui armar-me em esperta ao utilizar a palavra lobrigar, o que não correu, contudo, lá muito bem.
Foi, portanto, num ensejo de desespero que vasculhei todo o quarto da pessoa com quem estava – não posso mencionar o nome, mas começa por namor e acaba em ado - e dei por mim a dar início a uma agradável leitura da obra Anjos e Demónios, do autor Dan Brown - este já eu posso aludir. Talvez inspirada pelo facto de estar ou ter estado recentemente nos cinemas em exibição. Talvez não.
Não consigo recordar-me ao certo da página do livro, uma vez que já me tinha fartado de ler, mas era qualquer coisa como na página seis. Foi então nessa página, chamemos-lhe assim, seis, que encontrei aquilo que mais temia: uma borboleta morta? Não. Mas quase tão mau quanto isso. Jazia ali a palavra ominoso. Retorqui, ainda que mentalmente, com um, não temido mas temível, “Uau!" e foi prontamente que me dirigi à minha Mãe em busca de solução para o meu mais fresco enigma. Qual não foi o meu espanto, misturado com horror, quando oiço algo que me soou tal e qual um “não sei o que significa”. Era grave. As Mães sabem tudo, e se esta Mãe não conhecia o significado, revelava-se então uma tarefa muito mais árdua do que algum dia se imaginara. Tinha que respirar, obviamente, mas mais fundo que o habitual, e tomei assim, respirando, a decisão de me dirigir a este mesmo computador cujas teclas levam, nada carinhosamente, com os meus dedos em cima. Dei então origem a um novo documento Word. É que é este quem me safa, com as suas listas de sinónimos, quando ocorrem situações de terror que nem esta. Mas foi aí que me apercebi de que era ainda mais grave que o que eu podia fantasiar: nem mesmo o Microsoft Word me podia fornecer um sinónimozinho que fosse. Tinha que colocar as mãos à obra, bem como o cabo da net no respectivo orifício.
Começou assim uma delicada jornada a algo que tem como nome qualquer coisa acabada em –icionário (aqui podia acusar o website, mas patenteio que me esqueci completamente do raio do nome). Efectuei certos e determinados passos, nomeadamente alguns, e foi então que, após um esforço colossal – note que a minha testa sua apenas por recordar isto -, encontrei cerca de dois sinónimos para o maldito mas, tinha a certeza, bem dito e escrito vocábulo ominoso, que, vim a descobrir mais tarde, era mesmo ominoso.Este website fez então questão de enumerar os seguintes sinónimos da minha cara, em todos os sentidos do termo, palavra: agoirento; nefasto; abominável. Afinal são três.
Chego finalmente ao ponto fulcral desta posta: após uma longa e bem dura investigação, posso afirmar, com toda a convicção que consigo neste momento amanhar (peço desculpa ao leitor se não lhe consigo dar toda a que esperava e merecia, mas convém ter em conta a hora da escrita deste documento), que, no dia em que escrever um documento cujo título deva ser O Abominável Homem das Neves, a palavra abominável poderá, de facto, ser por mim alterada para ominoso, e isso fará de mim alguém muito mais inteligente perante o olhar, o cheirar, o ouvir e o sentir de muito boa gente. E quer-me cá parecer que esse dia é o de hoje.

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