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terça-feira, 17 de março de 2009

Proibido ir ao WC (A não ser que seja estúpido ao ponto de pagar por isso)

Não sou grande adepta da televisão, só que ainda sofro daquele problema em que, de repente, não tenho nada para fazer e em que acabo por, num acto de enorme desespero, carregar naquele botão parvo que normalmente diz, ou quer dizer, on.
Aconteceu outra vez, e talvez não fizesse tão mal já que àquela hora era o Telejornal que estava no ar. Mas fez. E há coisas em relação às quais uma pessoa prefere permanecer na ignorância e, sinceramente, preferia não ter conhecimento do facto de agora ter de pagar para utilizar uma casa-de-banho, caso me encontre num avião. Mas já que sei disto, pergunto-me: quem será o idiota de quem partiu esta brilhante ideia? E, indo mais longe, coloco ainda a questão: como é que eu nunca tive essa ideia?Para já, posso afirmar seguramente que este indivíduo, cujas ideias me fazem crer que é um génio, é um artista. Aprendi na faculdade que um artista é aquele que pensa no que não foi pensado. Aprendi também que nós, as pessoas, temos a mania de desvalorizar as obras do dito artista ao pensarmos "Ah! Grande coisa, até eu fazia isso.". O certo é que, sim senhora, fazíamos, mas não fizemos, sendo isto o que nos distingue do artista.
Quero acreditar que sou, neste momento, o que vem dar mais credibilidade ao parágrafo anterior, uma vez que tenho a mania que aquela ideia podia muito bem ter partido de mim. Por acaso podia. Mas não tive a rapidez e eficácia suficientes para a ter primeiro.
Os tempos que correm obrigam-me a, mais uma vez, tocar no assunto da crise. E que altura melhor que não a de crise para nos aproveitarmos de tudo e mais alguma coisa para ganhar dinheiro?
É, na minha opinião, um bom começo: agarrar nas necessidades fisiológicas das pessoas e fazê-las pagar por isso. Genial! É que uma pessoa, por mais que tente, não consegue aguentar muito tempo o xixi e/ou o cocó sem começar em verdadeiro sofrimento (Note que, já que é a minha opinião, falo segundo a minha própria experiência). E estando lá em cima, estamos sob muito mais pressão - nos vários sentidos da expressão. É, de facto, genial.
De momento, estou a pensar seriamente em lançar o boato de que isto partiu de um qualquer funcionário, talvez hospedeiro, da Ryanair cujo hobbie é ser dono de uma marca qualquer de fármacos daqueles que provocam o efeito exactamente contrário do laxante. Nem consigo imaginar o dinheiro que esta pessoa vai ganhar com tanta gente a tentar conter-se nas viagens de avião. Este boato que estou a lançar a partir de... Agora!... Faz todo o sentido e, já agora, admito que sempre quis conhecer a sensação de começar um.
Resta-me enfim aplaudir esta mente brilhante. Se pagamos, normalmente, para a comida entrar*, porque é que havemos de não pagar para a mesma sair?


*(ao comprá-la)

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