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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Acho que vou fazer um piercing no hombigo


Não, não vou fazer nenhum piercing, e muito menos no umbigo que isso é coisa de menina. Apenas não encontrei a delicadeza necessária à abordagem deste tema, e então resolvi entrar assim um bocado à bruta e tocar logo na palavra-chave. Que não é chave, mas sim hombigo.
Afinal isto de ver televisão até convém que aconteça uma vez ou outra. Sou, ou pelo menos quero acreditar que sim, a fã número um da língua portuguesa. Mesmo que isto não seja verdade, ao menos sei que me encontro naquele extenso grupo que a defende com unhas e dentes. O que se deve resumir a qualquer coisa como dois ou três por cento da nossa população. E já que carrego o fardo de, pelo menos cinco vezes por semana, ter de me levantar super-cedo, aproveito para prestar alguma atenção àquele programa que passa ao longo da manhã - não posso dizer o nome do canal, mas adianto que o nome começa por R, acaba em P e que tem no meio a letra T - em que andam por aí a perguntar às pessoas como é que se diz ou escreve isto e aquilo.
É de relevar aqui que às vezes o meu estômago dá um nó, o que me faz ficar deveras enjoada, ao perceber que, na sua grande maioria, a população portuguesa não conhece, nem de longe, o próprio dialecto.
Mas obrigado, caros compatriotas, por me fazerem sentir, de vez em quando, inteligente. Ou não-burra.
E pergunta o estimado leitor: "Então mas esse programa existe há tanto tempo! Porquê o só falar nisso agora?"; e eu, que não gosto de ser má para ninguém, e tampouco o serei para si que vem aqui ler-me, até vou responder: é que nunca foi dada tão bombástica resposta como a que ouvi ontem.
Perguntava-se então à gente que por ali passava qual era a forma correcta de soletrar a palavra umbigo. Obviamente que, tirando um ou dois gatos pingados (é a primeira vez que escrevo esta expressão), toda a gente respondeu E-M-B-I-G-O. Mas nunca na vida me prepararam para ouvir um "Acho que se escreve Ombigo" ao que, para me colar ainda mais ao chão, foi acrescentado um "Mas leva um H ao início!". Esta senhora teve, portanto, um dia, não um cordão umbilical mas sim um cordão hombilical. Se calhar merece umas palmadinhas no hombro, enquanto lhe cortam as honhas dos pés.
Ora, com tanta gente a espancar sem dó nem piedade (também nunca tinha escrito esta) a língua portuguesa, não admira que certos e determinados elementos nos queiram fazer aderir a este gigante passo (atrás) a que se dá o nome de acordo ortográfico (ou devo dizer hortográfico?): se Maomé não vai à montanha, ela que vá a Maomé; e se o típico português não domina a própria língua, a língua que vá dominá-lo, tornando-se oficialmente mal-falada.

2 comentários:

  1. Acho que nunca li tantos posts seguidos de um blog. Não sabia que tinhas um, sim senhor, parti-me a rir paqui. Na belgica paga-se 50 centimos pa ir à casa de banho, em todo o lado. é estupido. ah, e se pedires um copo de agua num cafe não te dão, vendem-te, 1.70€ e nem te perguntam se queres pagar! Beijo

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  2. Obrigado por leres os posts do meu blog, e de seguida! Emociona-me.
    E obrigado pela informação. Fiquei ligeiramente mais feliz do que o que estava há bocado por saber que, afinal, não é só em Portugal que existem situações estúpidas/ridículas - é difícil escolher uma destas palavras - como essas em que se vende copos de àgua.
    Concluo isto com um "WOW".
    :)

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